NOVEMBRO DE 2007 - NOVEMBRO DE 2017: NOSSA PÁGINA COMEMORA 10 ANOS  por Naji FARAH

 

O que aconteceu na história do Líbano entre 5 de novembro de 2007, data da nossa primeira página sobre os libaneses no mundo e hoje? Na frente da segurança, e após a guerra que assolva a Síria desde 2011, observamos o afluxo massivo mas pacífico de refugiados sírios no Líbano, além dos refugiados palestinos há muito estabelecidos no país. Mencionemos também a libertação pelo exército libanês, em agosto passado, da região Nordeste de Ersal, finalmente tirada dos "jihadistas" após longos meses de luta.

Mas em 7 de novembro de 2017, só podemos deplorar a triste atmosfera no Líbano, seguindo a resignação surpresa, há três dias, do primeiro-ministro Saad Hariri, que parece diretamente relacionado a conflitos regionais envolvendo a Arábia Saudita e o Irã em particular. Tudo parecia estar indo tão bem no país de Cedar, especialmente porque o consenso político, depois de mais de dois anos de vaga, levou apenas um ano atrás à presidência do general da república Michel Aoun, com um novo governo promissor dando confiança aos libaneses em todos os cantos do planeta.

Por nossa parte, dez anos de pesquisa e publicação de mais de mil artigos em francês em 215 páginas bimensais, em colaboração com o jornal Orient-le Jour, terão trazido sua parte do conhecimento sobre a importância cultural, econômica e política, única de seu tipo, dos libaneses e seus descendentes no mundo. Assim, contribuímos para o fortalecimento das reuniões com os jovens e os principais elementos da diáspora libanesa, mais particularmente na América Latina, onde se realizará no final deste mês em Cancún, no México, um grande congresso a pedido do Ministério libanês das Relações Exteriores.

Nossa ambição para os próximos meses é garantir que, dos países de emigração, emerge a força política há muito esperada, que pode pressionar para aliviar o peso da interferência estrangeira que ameaça o Líbano a qualquer momento. Paralelamente, e como se intensificam os estudos e missões arqueológicas, em todo o mundo, nas eras fenícias, romanas e bizantinas no Líbano, desejamos, por meio de vários retratos e histórias extraídos das antigas coleções, fazer reviver os libaneses que, desde a antiguidade, construem o mundo.

 

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VIAGEM BRASIL CARNAVAL 2018

 

A viagem anual da associação RJLiban no Brasil permitirá que você descubra as grandes cidades deste magnífico país durante o período do Carnaval. Esta viagem acontecerá no início de fevereiro de 2018 em colaboração com a Câmara de Comércio Libano-Brasileira do Rio de Janeiro.

As seis opções propostas incluem todas 5 dias no Rio de Janeiro e 2 dias em Foz do Iguaçu. Além disso, oferecemos 2 dias de turismo em São Paulo e Aparecida, uma viagem de navio de luxo de uma semana de Santos para Bahia via Ilha Grande, Ilheus e Búzios, e terminar 3 dias em Manaus na Amazônia e 2 dias em Brasília.

 

OPÇÃO 1: De sábado 10 a sábado 17 de fevereiro

Estadia de 8 dias, 7 noites no hotel com café da manhã no Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu - 4 grandes refeições com bebidas - 2 vôos domésticos - transporte de ônibus com ar condicionado - ingressos para sites e Sambodromo - guias multilíngues - sem vôos internacionais

4.500 usd em quarto duplo - 5.500 usd em quarto individual

 

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Líbano Saudade

[versão original em espanhol e árabe]

 

Vivê-lo, lembrá-lo, amá-lo

 

A nostalgia instalou-se na memória. Já se passaram semanas da viagem para o Líbano e aqueles que estavam na terra de nossos avós, El Bled, estamos lembrando e aproveitando os dias vividos neste país maravilhoso. Isto é manifestado nas mensagens via internet, o whatsApp e chamadas telefónicas entre os membros do grupo que viajou o verão 2015, graças ao patrocínio da ONG RJ Liban.

 

Sete mexicanos, entre mais de setenta pessoas, tiveram a oportunidade de visitar o Líbano há três semanas, compartilhando a experiência com os cidadãos de Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, França, Irlanda, Noruega e Uruguai. A maioria dos vencedores do sorteio era de ascendência libanesa, além de algumas pessoas reconhecidas como "Amigos do Líbano", pelo seu grande interesse pela cultura do velho país dos fenícios.

 

Tudo começou com uma chamada de RJ Liban, e seu fundador presidente Naji Farah, que convidou a visitar o Líbano gratuitamente, durante três semanas, através da participaçãono sorteio, no momento do registro no seu site. Graças a Nabih Chartouni, presidente da Associação Al Fannan, tivemos conhecimento de tal chamada, que era a porta de entrada para uma das mais belas experiências que concursamos e ganhamos.

 

RJ Liban é uma associação fundada em França em 1986 por um grupo de jovens profissionais e estudantes libaneses. Significa a Uunião da Juventude Libanesa (em francês: Rassemblement de la Jeunesse Libanaise). Sua missão é: promover e preservar o patrimônio cultural do Líbano; estabelecer reuniões entre libaneses, seus descendentes e seus amigos no mundo da emigração libanesa e realizar atividades culturais entre os jovens libaneses, a fim de reforçar o seu amor pela pátria de origem. 

 

Para tal, realizam-se programas de cunho social, cultural e turístico no Líbano e com a emigração libanesa no mundo. A turnê respondeu à sua missão de promover o regresso dos descendentes de libaneses, bem como a busca e reunião das suas famílias de origem, como vários dos convidados, incluindo Laura e Mario Athié, ambos do México; José Luis Elmelaj, da Argentina e Antonio Abdo da Bolívia.

 

Essas reuniões foram resposta a pesquisas de há muito tempo e despertaram muitas emoções!    

 

A incursão começou em Beirute, em cujo Aeroporto, os curiosos exploradores da terra de origem foram recebidos por Joseph Athié, um amigável parceiro de Naji Farah. Este último, encontramos no hotel, onde ofereceu uma recepção calorosa, e logo um convite para jantar num bom restaurante situado num jardim com pinheiros e carvalhos, na área de Broummana.

 

A turnê foi inaugurada em uma cerimônia que contou com os embaixadores da Argentina, França, México e Uruguai, bem como um representante do Ministério do turismo libanês. Note que o Naji Farah disse naquela ocasião: Todos os imigrantes tem o direito de retornar ao Líbano. Esta afirmação enfática me motivou para refletir, mais uma vez, uma dolorosa realidade: muitos dos nossos avós não puderam voltar! E agora, ele estava nos dando esta grande oportunidade, aos seus descendentes.

 

A visita do Bled incluiu cruzar de Norte Sul e de leste a oeste: grandes cidades, pequenas aldeias, campos, montanhas, florestas, cavernas, costas, sítios arqueológicos e antigos aposentos; ao todo cheio de história, beleza e cor; É impossível mencionar muitos nomes neste curto espaço. 

 

As experiências do dia-a-dia enriqueceram nossa existência: viver junto com pessoas de nove países e descobrir que a origem comum e o desejo de recuperar as raízes é um enorme fator de unidade; compartilhar nossas expectativas para a viagem com todo o grupo, em Hamana, onde também foram recebidos com um esplêndido jantar pelo Bispo Maronita do México George Abi Younes, que estava visitando o Líbano naquelas datas; para ouvir as histórias do companheiro sobre suas aventuras e, em alguns casos, seus sacrifícios para comprar a passagem aérea, única exigência solicitada pelo RJ Liban; aprender um pouco da língua árabe (libanês) em uma atmosfera lúdica, com a professora Samira, que estava tentandofacilitarnossa aprendizagem.

 

Socializarem torno das mesas que oferecem pratos requintados cujo sabor nos lembrou testado desde a infância; ver dançar a dabke habilmente pelo grupo de jovens argentinos, e ir e fazê-lo com a prática mínima, estimulados pela música que penetrou na pele e despertou uma gama de emoções; admirar as esculturas criadas por Mario Athie; compartilhar momentos com membros do exército libanês, bem como filhos de soldados, muitos deles órfãos, e conhecer os seus interesses e aspirações; visitar a fronteira com Israel e pisar em terra que pode falar sobre experiências dolorosas, uma luta para a nação e honra.

 

Assistir ao casamento de dois jovens argentinos na Catedral de Tiro, Paula Gattas e Federico Montes Chantire, que "cumpriram seus sonhos de voltar para a terra dos seus antepassados para unir-se em casamento e começar uma vida libanesa" e logo, participar de uma festa inesquecível, seguindo os costumes do país; visitar o santuário de Saint Charbel Makhluf, este espaço cheio de misticismo e orar juntos em uma missa celebrada pelo Abuna Yaacoub Badaoui, que também veio do México.

 

Visitar o maravilhoso Museu Nacional de Beirute, sob a orientação da excelente guia Nada Mitri; explorar as antigas muralhas do mar construídas pelos fenícios em Batroun; visitar os antigos cedros e admirar sua grandeza e majestade; explorar as antigas ruas de cidades e aldeias, descobrindo seus recantos e os costumes de seus habitantes; explorar os sítios arqueológicos de antigas culturas; surpreender-se com a lente apropriada do simpático brasileiro Mauricio Yazbek; e a coexistência de horas e horas no ônibus, excelente oportunidade para tentar conhecer tudo o que nos deixaria de ser estrangeiro e desconhecido em algum tempo; as pessoas descobrem o interessante de cada um, para finalmente começar o caminho de uma bela amizade que continua até hoje.

 

Claro, em todos os lugares, o grupo apreciava a hospitalidade e o amor dos libaneses e da constante atenção dada por Naji, Joseph, o casal formado pelos professores Nada e Youssef Rizk, o ex-embaixador do Líbano no Paraguai Fares Eid, Rosarita Tawil, responsável pelas relações públicas e Vanina Palomo, simpática e dinâmica argentino-libanesa, também colaboradora da associação...  E assim poderia continuar escrevendo muitas páginas. Então, como não sentir tanta nostalgia?

 

Esta é uma síntese da riqueza que nos deu esta viagem. Àqueles que a viveram foi um presente da vida, um sonho alcançado, cujos principais efeitos foram: o grande amor ao Líbano que despertou ou aumento em nós, bem como tendo aumentado a compreensão dos nossos antepassados libaneses que deixaram a sua terra, por causa da dominação turca, buscando a liberdade e a possibilidade de uma nova vida; além da motivação para trabalhar ainda mais em favor do libanismo e do Líbano, a partir do site que já nasceram descendentes. E além de tudo isso, a quantidade de novos amigos em diferentes países.

 

Portanto, nesta turnê, RJ Liban cumpriu sua missão de longe, novamente, é necessário agradecer para esta grande oportunidade a associação e Naji Farah e sua equipe, bem como a presidência de Al Fannan. Para todo o contado e agora de volta à nossa realidade cotidiana, não deixamos de saborear as memórias, creio que possamos tomar como nossas as palavras da juventude boliviano-libanesa: Nós não vivemos no Líbano; o Líbano vive em nós!

 

Bertha Teresa Abraham Jalil

Texto publicado em espanhol na edição de outono de 2015, no trimestral "Baitna" do Centro Libanês na Cidade do México

 

* Mestre em História com especialização em História da arte da faculdade de filosofia e letras da Universidade Nacional Autônoma do México.

* Ganhou menção honrosa no Prêmio Miguel Covarrubias, convocada pela Conaculta-INAH, na categoria de dissertação de mestrado, correspondente ao campo da "museologia”.

* Nota laudatoria1986, reconhecimento outorgado por la UAEM.

* Sua preparação inclui mais de 50 cursos e seminários sobre história da arte, formação de recursos humanos, desenvolvimento humano, didática, metodologia de pesquisa, projetos de turismo, gestão de património cultural e museologia.

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